
Um exame de sangue capaz de identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil. Disponível inicialmente na rede privada, o teste mede a proteína p-tau217, biomarcador ligado às transformações cerebrais características da enfermidade, e pode reduzir a realização de procedimentos mais invasivos durante a investigação diagnóstica.
Segundo reportagem do G1, o exame é oferecido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, RS, por aproximadamente R$ 3 mil. A tecnologia utiliza a plataforma Lumipulse, desenvolvida pela fabricante belga Fujirebio, e foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Como funciona o exame de sangue para Alzheimer?
O teste mede a concentração da proteína p-tau217 no sangue. Níveis elevados desse biomarcador estão associados ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das principais marcas biológicas da condição.
A identificação desses sinais auxilia os especialistas a investigar a causa de sintomas como dificuldades persistentes de memória e comprometimento de outras funções cognitivas.
Anteriormente, a investigação de biomarcadores associados à doença podia envolver exames como o PET amiloide, que utiliza imagens para identificar depósitos de beta-amiloide, e a análise do líquido cefalorraquidiano, realizada por meio de punção lombar.
Por utilizar uma amostra de sangue, o novo teste oferece uma alternativa menos invasiva. O resultado, porém, deve ser interpretado em conjunto com o histórico clínico, a avaliação médica e outros exames, quando necessários.
Quem pode fazer o exame?
O teste é indicado para pessoas com mais de 50 anos que apresentam sintomas de comprometimento cognitivo e estão sob investigação médica para Alzheimer.
A indicação depende da avaliação de um profissional de saúde, que considera as queixas do paciente, os resultados de testes cognitivos e a possibilidade de a doença explicar o quadro. O exame não é recomendado como ferramenta de rastreamento em pessoas sem sintomas. Um resultado positivo, isoladamente, não confirma demência nem permite afirmar que uma pessoa assintomática desenvolverá Alzheimer no futuro.
Qual é a precisão do teste?
O desempenho da tecnologia foi avaliado em um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine. A pesquisa reuniu 1.767 participantes com sintomas cognitivos na Suécia, na Espanha e na Itália.
Os pesquisadores compararam os resultados do exame de sangue com aqueles obtidos na análise do líquido cefalorraquidiano. Quando foi utilizado um único ponto de corte para classificar os resultados, a concordância entre os métodos ficou entre 89% e 91% nos serviços especializados.
Com a utilização de dois pontos de corte, a concordância aumentou para valores entre 92% e 94%. Nesse modelo, entretanto, de 12% a 17% dos participantes tiveram resultados inconclusivos.
O teste pode apresentar três diagnósticos: positivo, negativo ou inconclusivo. Quando não há uma resposta definida, o médico pode recomendar exames complementares para esclarecer o quadro.
Mesmo com laudo positivo, a confirmação definitiva depende da análise conjunta das informações clínicas e dos exames disponíveis.
O exame está disponível no SUS?
Até o momento, não há previsão do teste ser disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com as informações divulgadas pelo G1, o Ministério da Saúde informou que ainda não recebeu solicitação para avaliar a incorporação do exame à rede pública pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Para que uma tecnologia seja incluída no sistema público, é necessário avaliar aspectos como eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário. Por isso, ainda não há previsão oficial para a oferta do teste pelo SUS.
A chegada do exame representa um avanço na investigação do Alzheimer, ao oferecer uma alternativa menos invasiva para identificar alterações biológicas associadas à doença. A indicação, no entanto, continua restrita a situações em que existe suspeita clínica, e o resultado não dispensa o acompanhamento médico.

Fonte: G1
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