
Animais silvestres feridos, vítimas de maus-tratos, provenientes de apreensões ou encontrados em situação de risco podem receber atendimento no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Barueri. Mantido pela Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente (Sema), o espaço trabalha com acolhimento, atendimento, recuperação, reabilitação e destinação desses animais.
Criado em 2012, o Cetas recebe aves, mamíferos e répteis em diferentes situações. Entre os casos estão animais resgatados em áreas urbanas, vítimas do tráfico ou da posse irregular, provenientes de apreensões e aqueles entregues voluntariamente pela população.
O que acontece quando um animal chega ao Cetas?
O trabalho começa pela triagem e identificação do animal. A equipe avalia as condições de saúde e as necessidades de cada espécie para definir os cuidados e o processo de recuperação.
O Cetas conta com veterinários, biólogos, tratadores e profissionais administrativos. A estrutura possui cerca de 1.000 m² de área construída em um terreno de aproximadamente 2.000 m², com recintos de quarentena e reabilitação, espaços para treinamento de voo, ambulatório, internação, berçário, sala de necropsia, cozinha para animais e biotério, entre outras áreas.
Durante o período de permanência no centro, os animais recebem os cuidados necessários para que possam recuperar as condições físicas e comportamentais para voltar à vida livre.
A soltura é o destino?
A devolução à natureza é uma das principais finalidades do trabalho. Depois da recuperação, os animais podem ser encaminhados para áreas de soltura localizadas em regiões de ocorrência da espécie.
Nem todos, porém, conseguem retornar à vida livre. Nesses casos, a Prefeitura informa que os animais podem ser destinados a empreendimentos de fauna autorizados pelos órgãos ambientais competentes.
O procedimento segue a lógica adotada pelos Centros de Triagem de Animais Silvestres em âmbito nacional. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), esses espaços recebem animais por entrega voluntária, resgate ou apreensão, realizam procedimentos de identificação, triagem, avaliação, tratamento e reabilitação e, posteriormente, fazem a soltura ou o encaminhamento para empreendimentos de fauna devidamente autorizados.
Cetas também recebe animais de outras cidades
O atendimento realizado em Barueri tem alcance regional. Dados do Relatório de Qualidade Ambiental da Prefeitura apontam que, em 2023, o Cetas recebeu mais de 2,8 mil animais e atendeu também outros municípios, com apoio a 69 cidades naquele ano.
Em junho de 2026, por exemplo, o centro participou da repatriação de 185 animais para Sergipe. O grupo era formado por 175 jabutis e dez aves, que haviam passado pelo processo de acolhimento, avaliação, tratamento e recuperação em Barueri. A transferência teve como objetivo devolver os animais à região de origem das espécies antes da etapa de reabilitação e posterior soltura.
População pode fazer entrega voluntária
A população também pode entregar voluntariamente animais silvestres ao Cetas. Segundo a Prefeitura, o procedimento deve ser feito mediante agendamento prévio.
O centro orienta que, ao encontrar um animal silvestre em área urbana, a pessoa não tente capturá-lo por conta própria. Quando houver ferimento ou situação de risco, a recomendação é acionar os órgãos competentes para que o animal seja encaminhado de maneira adequada.
No caso de filhotes, a orientação varia conforme a situação. Um filhote saudável nem sempre precisa ser retirado do local onde foi encontrado, já que os pais podem estar próximos. A Prefeitura recomenda observar a situação e evitar interferências desnecessárias.
Onde fica e como entrar em contato
O Cetas de Barueri está localizado na Estrada Dr. Cícero Borges de Moraes, 3.211, no Bairro dos Altos.
O recebimento de animais ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 15h, exceto feriados. Os contatos são (11) 4689-0314, com atendimento também por WhatsApp, e (11) 3164-1040.
A visitação ao espaço é restrita a técnicos interessados em conhecer o projeto e deve ser previamente agendada.
Axolotes mostram a diversidade dos casos atendidos
Um dos casos mais recentes que passaram pelo Cetas envolve cerca de 53 axolotes, espécie de salamandra nativa do México e considerada exótica no Brasil. O grupo chegou ao centro neste mês de setembro por determinação judicial e posteriormente foi encaminhado a um empreendimento de fauna autorizado para o manejo de animais silvestres.
O episódio reforça que o trabalho do Cetas não se limita a animais encontrados feridos em áreas urbanas. O centro também participa de processos que envolvem apreensões, entregas voluntárias, animais mantidos irregularmente e diferentes formas de destinação da fauna.
A Prefeitura orienta que a população não compre animais silvestres sem procedência regular e verifique a documentação e a autorização dos estabelecimentos responsáveis pela comercialização. A medida ajuda a evitar a manutenção do comércio irregular e os problemas decorrentes da posse inadequada de espécies silvestres.

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