Por que a morte repentina de Ricardo Boechat mexeu com todo o país?

O ano de 2019 mal começou e já vivenciamos tragédias e perdas difíceis como, por exemplo, a morte trágica do jornalista Ricardo Boechat. Em contato com a psicóloga Erica Aidar, conversamos sobre o assunto e ela gentilmente nos enviou o artigo abaixo. Boa leitura!

Ricardo Boechat

Ricardo Boechat

Por Erica Aidar*

A morte de alguém ativo física e intelectualmente sempre nos afeta porque nos relembra de nossa própria mortalidade e da falta de controle sobre os acontecimentos. Porém, a perda brusca de uma figura, como a do Boechat, mexe com a gente por muitos outros aspectos que vão desde a lacuna deixada devido à escassez de personalidades genuínas na mídia e na vida cotidiana, ao poder da afetividade criada em anos de encontros matinais na rádio e nos noturnos na TV, o que desenvolveu em milhares de pessoas o hábito de vê-lo diariamente.

Como Boechat tinha um estilo muito pessoal e aberto, inclusive dando suas referências pessoais como nome e histórias de sua esposa, filhas e mãe (principalmente), no decorrer dos anos, um laço de profunda identificação pessoal se formou entre o jornalista e o público. A comoção nacional é prova de que nossos afetos não dependem da fisicalidade e são diretamente ligados à admiração, identificação e rotina de contato.

O fato de ele deixar o número de seu celular pessoal no ar é outro exemplo de uma ação poderosa de proximidade. A falta de “papas na língua” fez com que muita gente se sentisse representada e o jornalismo didático o tornou referência importante, na formação de opiniões de pessoas de todas as idades e camadas sociais.

E quais as regras para lidar com perdas como essa? Não há, principalmente as repentinas, mas o simples reconhecimento do impacto global destes eventos na psiquê já é meio caminho andado para que possamos nos dar o tempo necessário para digerir e dar significado ao acontecimento.

No caso de famílias e empresas que perdem membros de forma abrupta, um psicólogo é fundamental para criar as medidas de emergência que minimizam o impacto da dor sobre as pessoas envolvidas.

*Erica Aidar é psicóloga e coach. www.ericaaidarcoach.com

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