Frustrações: o excesso faz adoecer

andreia chiarella
A psicóloga e psicanalista Andréa Chiarella diz que as pessoas precisam falar de suas dores e perdas

Como você lida com as frustrações do dia a dia? Recorre aos prazeres imediatos, como álcool, drogas, gula, redes sociais ou relações abusivas para aplacar uma angústia? Então, está na hora de procurar ajuda, seja de um psicanalista ou um psicólogo, profissionais que acolhem a angústia do paciente e o ajudam a compreender e a dar novos significados para as dores.

Sabemos que o mundo hoje vive na base da pressa, do imediatismo, dos excessos. Diante disso, nossa capacidade de pensar e de refletir parece estar cada vez mais comprometida, porque estamos muito acelerados e, às vezes, funcionando de forma mecânica, automática e robótica.

“É como diz uma psicanalista de Paris que gosto muito, Marilia Aisenstein, estamos na era do ‘fast’ tudo, fast food, fast services, fast terapias. E isso é prejudicial à saúde, porque os excessos das angústias que vivemos não têm tempo para serem trabalhados internamente. Nós temos um mundo interno que precisa ser cuidado”, diz a psicóloga e psicanalista Andréa Chiarella, que também é especialista em psicossomática e autora do livro “Peter e o Adoecer Silencioso”, obra em que une sua experiência clínica em consultório e hospitais à teoria psicanalítica.

É como um grito de guerra que Andréa aprendeu com um professor – “Corro por quê? Porque não posso parar. Se parar, eu penso. Se pensar, eu choro”. “As pessoas não querem mais pensar, nem sofrer ou chorar, mas se esquecem que viver as emoções é muito melhor do que as encobrir, do que não ter espaço para falar sobre elas ou vivê-las”, acrescenta.

Segundo Andréa, é comum ouvir pacientes dizerem que têm medo de chorar porque acham que se começarem nunca mais vão parar. “Vejo quanto choro e dor contida devem ter ali. Isso faz adoecer e, às vezes, gravemente. O problema não é sentir dor psíquica, raiva ou medo. O problema maior é não ter espaço para falar sobre estas coisas e, assim, poder elaborá-las”, explica.

Causas da frustração e formas de tratamento

Andréa diz que não existe uma única grande causa para uma pessoa adoecer, já que o ser humano é um ser psicossomático, ou seja, mente e corpo estão em constante interação. “O surgimento de uma doença depende de vários fatores, como causas genéticas, hereditárias, biológicas, ambientais (familiares e profissionais), além das causas psíquicas. O câncer é uma doença genética, mas que pode aparecer dependendo da condição psíquica da pessoa. Pessoas enlutadas têm mais chances de adoecer, por exemplo”, detalha a psicanalista.

Outro fator importante a ser observado é a comparação gerada nas redes sociais. Há pessoas que ficam fixadas em modelos ideais, que tendem a ser copiados, invejados, e se esquecem de ter uma vida criativa e própria. Esquecem de seu real valor como pessoa e acabam querendo o que é do outro e perdem completamente de vista o que já tem de bom e de bonito, bem como o seu valor como pessoa.

“Isso faz a pessoa se sentir sem nada. É quase como se não houvesse um modelo próprio de ser. As pessoas estão se negando de forma radical a pensarem individualmente e por si próprias e isso afeta as relações afetivas também, porque elas buscam modelos de parceiros idealizados. Se estamos presos ao ideal, as chances de ter uma relação de verdade, com altos e baixos, com problemas, mas interessante e real, fica inviável”, comenta.

Para finalizar, é preciso entender que não existe a satisfação completa, nem felicidade eterna e plena, pensamento infantil e insustentável. “As pessoas precisam falar de suas dores e perdas, porque isso faz parte da vida e, por mais difícil que seja, é preciso compreender e aceitar que essa é a condição humana. Além disso, é necessário entender que o luto pela perda de algo ou alguém é um trabalho que leva tempo para se recuperar, não há cura imediata”, explica Andréa. Como cada caso é um caso e deve ser avaliado individualmente, a psicanálise tem boas ferramentas para ajudar. Procure um especialista!

Andréa Chiarella
Tel.: (11) 94749-5042
a.chiarella1403@gmail.com
Possui consultório em Alphaville e São Paulo

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1 Comentário
  1. Parabéns Andrea realmente lendo essa reportagem nos damos conta que estamos escondendo nossos sentimentos para não aborrecer os outros e também para fugir dos sofrimentos
    Muito boa sua colocação

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